[Carta electionis]

Cartulário:

Nº Documento: 
0609
Fólio: 
234v-235r
Data do documento
Ano: 
1092
Mês: 
5
Dia: 
23
Nota: 

Este documento é uma notícia que relata a eleição e sagração do bispo de Coimbra, D. Crescónio, respectivamente, no concílio de Santa Maria de Husilhos (na diocese de Palência, Espanha), a 13 de Abril de 1092, e na Sé de Coimbra, a 23 de Maio do mesmo ano. A notícia não tem data. Seria de 23 de Maio de 1092 se tivesse sido lavrada no próprio dia da sagração de D. Crescónio, o que não é nada provável. Além disso, está errada a data atribuída ao concílio nacional de Husilhos, que se realizou nos fins de Abril ou princípios de Maio de 1088 e não em 1092. Geralmente diz-se que a eleição e a sagração de D. Crescónio teriam sido em 1088 e em 1092, respectivamente. Foi bispo de Coimbra até 1098. No entanto, já a 18 de Dezembro de 1086 subscreve, em Toledo, como bispo de Coimbra o diploma de Afonso VI que restaura a igreja daquela cidade e convoca os bispos para a eleição de D. Bernardo, futuro arcebispo Toledano. No mesmo documento é igualmente subscritor o cônsul conimbricense Sesnando David. Quanto a tudo isso, levantam-se, contudo, algumas questões: as actas do concílio de Husilhos não referem a presença de Crescónio nem consequentemente, a sua eleição; quem esteve presente nesse concílio foi D. Martinho Simões na qualidade de bispo eleito de Coimbra; D. Crescónio aparece como prelado Conimbricense num texto de 18 de Dezembro de 1086, em que Afonso VI convoca os bispos para a eleição de Bernardo como arcebispo de Toledo, acto em que também figura D. Sesnando como cônsul de Coimbra. De tudo isto parece deduzir-se que D. Martinho foi eleito bispo de Coimbra após a morte de D. Paterno (1086) e que Crescónio foi eleito e sagrado antes de 18 de Dezembro de 1086, tendo vindo para Coimbra só em 1092. O documento 609 não seria, pois, autêntico.

Documento original
Original: 
Não

Outorgante:

In nomine Sancte et Indiuidue Trinitatis, in quo condita et restaurata sunt uniuersa que sunt in celo et in terra et in quo cuncta consistunt cuiusque consilio certa tempora lege disponuntur, sine quo eciam nichil in terra sine causa sit. Eius plane consilio eiusque auxilio suaque disposicione freti, muniti atque adiuti, nos Colinbriorum clerus et populus una cum consensu ordinis, presidente domino nostro archiepiscopo Toletano Bernardo, concilio generali comprouincialium episcoporum apud Sanctam Mariam de Fusellis celebrato, coram eciam adstante serenissimo rege nostro Adefonso, elegimus nobis in episcopum abbatem de titulo Sancti Bartholomei Tudensis nomine Cresconium. Fauente prenominato archiepiscopo et omnibus episcopis simul cum abbatibus, nullo interueniente uel certe promisso simoniace heresis precio, sed iure iuxta canonum statuta et sanctorum decretalia patrum, facta est conclamacione ac laudacione in Deum omni precio Idus Aprilis, luna XX.a VIIII.a, anno Incarnacionis Domini millesimo nonagesimo secundo, consule ciuitatis prephate domno Martino Muniz. Ordinatus est autem in episcopum predictus Cresconius a iam dicto domno archiepiscopo Tolethano et a domno episcopo Ederico Tudenti et domno Petro Oriensi, dominica in octauis Pentecosten in ecclesia Beate Marie Colimbrie, adstante clero et populo.

Bibliografia: 

Manuel Augusto Rodrigues, Livro Preto: Cartulário da Sé de Coimbra. Edição crítica. Texto integral, Arquivo da Universidade de Coimbra, Coimbra, 1999.